A Gestão do meu Condomínio pode melhorar com um Síndico Profissional

Por Roberto Gomes.

Tem crescido muito, por parte dos Condomínios, a procura por Síndicos Profissionais, e por conta dessa demanda, também tem crescido a oferta de Síndicos Profissionais no mercado.

A grande questão é |esse novo processo, tão em voga, tem, de fato, trazido benefícios aos Condomínios ?!? – a resposta é: depende muito de ambas as partes.

Não se trata de uma simples mudança – vamos trazer alguém de fora para ser o síndico….

Trata-se de uma mudança significativa no processo de gestão do Condomínio envolvendo vários fatores de relativa importância, para os quais, nem sempre, o Condomínio poderá estar preparado.

Eu diria que em alguns casos podemos comparar a chegada de um Síndico Profissional num Condomínio com a chegada de um Executivo para assumir a gestão de uma empresa familiar com parentes dos donos espalhados por todas as áreas da empresa, ou seja, um processo de muita complexidade, nesses casos, em muitas das vezes, o mais difícil não está atrelado as questões de ordem técnica mas sim no relacionamento interpessoal daquele gestor com aqueles familiares.

No Condomínio não é diferente, e o sucesso daquele Síndico vai estar diretamente ligado ao inter-relacionamento dele com os Condôminos e mais ainda, e principalmente, com os Conselheiros, sejam Fiscais ou Consultivos.

Trata-se de uma relação que está alicerçada num fio de navalha, que na grande maioria dos casos acaba em tragédia. Basta um se não para um dos Conselheiros e aquele Síndico vai começar a passar por um processo de desvalorização, uma espécie de questionamento do tipo: será que está valendo a pena termos todo esse custo com esse profissional?!?

O pior não é isso, o pior é que em muitas das vezes aquele Síndico já prestou excelentes trabalhos ao Condomínio, coisa do tipo:

  • Casamento do fluxo de caixa;
  • Renegociação dos contratos de prestação de serviços de manutenção;
  • Trocas dos prestadores de serviços desqualificados;
  • Adoção de procedimentos de controle interno;
  • Adoção de melhores controles de segurança;
  • Adoção de melhores processos operacionais;
  • Redução de custos;

Mas por uma infelicidade, a mulher de um dos Conselheiros adorava mexer no jardim do Condomínio, adorava trocar as plantas existentes (no projeto original de plantio) pelas que eram do seu gosto pessoal, e o Síndico resolveu agir, e de forma correta, proibiu que a tal senhora desce continuidade àquele processo. A partir desse momento o destino daquele profissional está definido | será o fim do contrato.

Mas não são só os Conselheiros os vilões dessa história, em muitos casos, muitos dos Condôminos não aceitam a ideia de ter um terceiro, estranho ao Condomínio, empossado, legalmente, de poderes para poder até penaliza-los com advertências e multas – ai vem: quem esse cara pensa que é, nem proprietário de um imóvel ele é, está se achando o que ?!? Nesse momento temos início a um longo processo de conversas paralelas ou, o que é pior grandes debates no grupo do zap zap e temos aí o início do fim do contrato daquele profissional.

Por outro lado, os Síndicos Profissionais, em muitas das vezes, contribuem e em muito com sua própria desgraça. O desgaste dessa relação é muito comum acontecer quando o Síndico Profissional não se enxerga como um prestador de serviços e se coloca como o CEO (chef executive office) do Condomínio. Ele não consegue se colocar no lugar dos Condôminos e entender que é necessário estabelecer um processo de transparência da sua gestão em todos os aspectos, inclusive o de uma certa subordinação. Claro que é compreensivo que é ele o responsável civil e criminalmente pelos atos de gestão, mas também é compreensivo que ele atenda as demandas dos Condôminos dentro de certos princípios de legalidade. É preciso que ele entenda que está lá pra atender aos anseios/desejos da Assembleia e não pra fazer aquilo que ele acha que deve ser feito | se agir assim a vida dele no Condomínio será curta.

Mas nem todo o relacionamento entre Condôminos e Síndicos Profissionais tem um final dramático, temos muitos e muitos exemplos de sucesso e são nesses casos que o processo de gestão de um Síndico Profissional pode trazer inúmeras melhorias ao Condomínio.

Esse profissional é capaz de tratar aquele Condomínio como uma empresa e implementar uma série de processos extremamente benéficos que poderão trazer resultados surpreendentes sob todos os aspectos.

Ele poderá ser capaz de lidar com as ocorrências de cometimento de irregularidades com mais imparcialidade e moderação que um Síndico Orgânico, exatamente por não ser morador e ter um baixíssimo nível de convivência Ele será capaz de implementar processos operacionais de alto rendimento economizando tempo e dinheiro pro Condomínio. Ele será capaz de otimizar ao máximo os recursos financeiros, propiciando ao Condomínio realizar mais investimentos sem que seja necessário aumentar a arrecadação mensal.

Enfim, por ser um profissional poderá levar ao Condomínio uma série de processos financeiros; operacionais e de relacionamento que trarão enormes benefícios, sob vários aspectos, compensando em muito os custos coma sua contratação.

Não se trata de uma tarefa fácil e também não basta ter competências técnicas, é preciso que uma série de circunstâncias aconteçam de forma natural e ou provocadas por um estilo de gestão. Não podemos esquecer que estaremos lidando com pessoas e, portanto, com vaidades; necessidades; anseios; decepções e até maldades e saber lidar com tudo isso não é nada fácil.

Mas sempre que existir de ambas as partes a vontade e a competência de acertar os resultados são bastante compensatórios para ambos. Não há dúvidas que uma gestão profissional é capaz de trazer muito mais resultados positivos que uma gestão amadora, principalmente no médio e longo prazo. A dedicação e competência de um profissional são caraterísticas preponderantes e lavarão ao sucesso. Não estou querendo dizer que um Síndico Orgânico não seja capaz de trazer o mesmo resultado, mas com certeza será a custas de muito mais sacrifício.

 


Roberto Gomes é contador com pós-graduação em administração financeira, especialização em Auditoria Interna e MBA em administração e marketing BRA/USA.